Naturologia e a emergência de novas perspectivas na saúde

Nelson Filice de Barros, Ana Cláudia Moraes Barros Leite-Mor

Resumo


O objetivo deste trabalho é refletir sobre a Naturologia como novo agente no campo da saúde brasileiro e suas peculiaridades relativas à convergência com a perspectiva social atual e contribuições à problemática contemporânea da saúde. Para isso, debatemos com a ciência moderna e suas transformações, a partir da “revolução fenomenológica”, que refuta o objetivismo, a neutralidade e a separação sujeito-objeto, e da “revolução quântica”, que atestou a insuficiência da mecânica clássica e a não-linearidade do tempo. Ademais, a área da saúde vivencia, desde o início da segunda metade do século XX uma dupla crise, designadas por Madel Therezinha Luz de Crise da Saúde e Crise da Medicina. Estas crises são concernentes à falência do “projeto da modernidade”, ou seja: da perspectiva desenvolvimentista, instaurada pelas revoluções Francesa e Industrial e pautada na crença de um tempo linear, que aposta em um futuro luminoso capaz de dar respostas às obscuridades e infortúnios humanos. Estes são os alicerces da nossa reflexão, por um lado, sobre a proposta da Naturologia e suas implicações epistemológicas e sociais para o campo da saúde; por outro, sobre a estruturação do seu saber, apoiada na metáfora da árvore do conhecimento elaborada neste estudo. Procuramos evidenciar como as bases, princípios e diretrizes da Naturologia podem se solidificar pautadas em movimentos atuais do campo da saúde. Enfatiza-se que a Naturologia está atrelada ao contexto contemporâneo em que se encontra a ciência e a epistemologia, e que é neste contexto, que vemos a possibilidade de a naturologia trazer as transformações necessárias para as experiências de saúde-doença no campo da saúde. Formalizar a naturologia é um processo desafiador e põe em questão a própria forma de colocar-nos no mundo.

Palavras-chave


Naturologia; Epistemologia; Crise da Saúde

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