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Chamada Revista Crítica Cultural Vol. 14, n. 3 (jul-dez 2019)

 

Dossiê: Política da crise: as universidades e a crise do pensamento

Organização: Sandro Luiz Bazzanella (UNC) e Nádia Neckel (UNISUL)

Se há algo em crise no mundo hoje, definitivamente, não é a economia. Então, o que está em crise? Nossa aposta é no pensamento como resposta à questão. Se as universidades são um dos espaços privilegiados do exercício da potência do pensamento, é no âmbito acadêmico que urge o exercício reflexivo em relação aos diversos contornos e variáveis da crise em curso.

Das práticas pedagógicas aos projetos de pesquisa entre universidades, o que vimos fazendo e trocando que caracterizariam a contraface ao obscurantismo de ideias que granjeiam as redes sociais? Pretende-se com este dossiê chamar ao debate e à produção de “novas verdades” (HARDT e NEGRI, 2014) a comunidade acadêmica que, “desmediatizada”, deve assumir a tarefa do pensamento, tão necessário, diante da crise que nos assola com ideias sem respaldo histórico, com pseudo pesquisadores enunciando “verdades” frouxas e duvidosas. A proposta é reunir textos que façam frente a tais pseudo-pesquisas embrenhadas no efeito ideológico elementar de “interpretações sem margens, nas quais o intérprete se coloca como um ponto absoluto” (PÊCHEUX, 1990) incapaz de saber-se sujeito dos discursos que o constitui.

O filósofo e jurista Giorgio Agamben nos convida ao exercício da contemporaneidade, que implica no desafio de compreendermos o tempo presente em toda sua intensidade e profundidade.  Assim, nos diz o filósofo: “A contemporaneidade, portanto, é uma singular relação com o próprio tempo, que adere a este e, ao mesmo tempo, dele toma distâncias; mais precisamente, essa é a relação com o tempo que a este adere através de uma dissolução e uma anacronismo.  Aqueles que coincidem muito plenamente com a época, que em todos os aspectos a esta aderem perfeitamente, não são contemporâneos porque, exatamente por isso, não conseguem vê-la, não podem manter fixo o olhar sobre ela”. (AGAMBEN, 2009).

Desafiados a pensar e a compreender aspectos do contemporâneo “para nele perceber não as luzes, mas o escuro. Todos os tempos são para quem deles experimenta contemporaneidade, obscuros. Contemporâneo é, justamente, aquele que sabe ver essa obscuridade, que é capaz de escrever mergulhando a pena nas trevas do presente” (AGAMBEN, 2009).. O presente dossiê se constitui numa perspectiva interdisciplinar sobre o contemporâneo acolhendo reflexões advindas das mais diferentes áreas do conhecimento dispostas a exercitar a potência do pensamento diante das obscuridades da crise em curso na atualidade, sobretudo no meio acadêmico. Assim, serão bem-vindas contribuições analíticas e reflexivas advindas das ciências humanas, das ciências sociais aplicadas, das ciências naturais e exatas empenhadas em provocar a potência do pensamento na compreensão do que está acontecendo no tempo presente.

 
Publicado: 2019-04-25 Mais...
 

Chamada Revista Crítica Cultural Vol. 14, n. 1 (jan-jul 2019)

 

Dossiê: Sujeito do inconsciente / Sujeito da cultura

Organização: Maurício Eugênio Maliska (UNISUL)

Há mais de cem anos Freud inaugurava a psicanálise. Inicialmente envolvida com a clínica da histeria, a psicanálise se tornou ao longo de seu desenvolvimento uma teoria extremamente influenciada e influente nos estudos culturais. Freud, em seu tempo, já reconhecia que uma nova ciência que propusesse a escuta do sujeito não teria condições de sustentar sua prática limitada apenas aos preceitos técnicos de uma clínica, sem o diálogo e a contribuição das teorias relativas às artes, à política, à religião, à mitologia, ao social e ao cultural. Os clássicos textos Mal-estar na civilização, O futuro de uma ilusão, Totem e tabu, dentre outros, testemunham claramente uma teoria do sujeito do inconsciente a partir dessa tão delicada implicação com a Kultur – termo designado por Freud e que autores como Paul-Laurrent Assoun preferem não traduzir, mantendo sua originalidade. Tal como disse o próprio Freud1 em relação à literatura: “Após essa longa digressão pela literatura, retornemos à experiência clínica — mas apenas para estabelecermos em poucas palavras a inteira concordância entre elas”. Seria então o sujeito do inconsciente o mesmo sujeito da cultura? Quais seriam as relações entre o inconsciente e a cultura? Conceber uma prática clínica que leve em conta o sujeito do inconsciente implica em considerar o sujeito da cultura ou a própria cultura em seus múltiplos recortes? É com essas e outras questões que poderão vir à tona que propomos o próximo Dossiê da Revista Crítica cultural que receberá artigos dedicados às relações entre psicanálise e cultura, especialmente aqueles voltados a discutir o lugar do sujeito do inconsciente na cultura e/ou suas interfaces com a cultura.

 
Publicado: 2018-12-17 Mais...
 
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