Chamada Revista Crítica Cultural - Vol. 12, n. 2 (jul-dez 2017)

Logo no início de seu clássico Da guerra (Vom Kriege), de 1832, Clausewitz define a guerra como “um ato de violência destinado a forçar o adversário a submeter-se à nossa vontade”, mas, faz questão de frisar, um ato racional, instrumental (visando alcançar um objetivo) e nacional. Se as teses do autor prussiano concebidas durante as guerras revolucionária e napoleônica parecem hoje superadas, a ideia de que a guerra é um prolongamento da política, ou talvez a própria política, parece de alguma forma iluminar o século XX e este começo do XXI. É possível pensar o século XX como uma era de guerra contínua: as guerras coloniais na África, a guerra russo-japonesa (1904-1905), a I e a II Guerra Mundial, a guerra da Coréia, do Vietnã, Laos, Camboja, a guerra do Afeganistão, entre o Irã e o Iraque, a guerra do Iraque contra o Kuwait e a invasão americana do Iraque, a guerra da Síria, a guerra na antiga Iugoslávia, etc... O objetivo deste dossiê é pensar a guerra como constituinte das políticas de expansão do Ocidente sob os mais diversos ângulos e atravessando momentos políticos diferentes (por ex. a Guerra Fria e a nova situação internacional a partir da queda do muro de Berlim e do fim da URSS); o enorme deslocamento de populações que fogem dos conflitos (a questão da imigração e dos refugiados), a desestabilização de vários países (Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, etc), a mediação das potências ocidentais via ONU (ou não). Para além das fronteiras disciplinares, a ideia é pensar nosso mundo contemporâneo sob a chave da guerra no campo da teoria política, das ciências sociais, das artes (imagens da guerra, guerra de imagens). Uma constelação de momentos e interpretações que nos permite pensar a guerra como uma uma sucessão de barbáries justificadas em nome de um processo civilizatório que dá o tom do século XX e também desse início de século XXI. O tempo presente ganha do breve século XX, de Eric Hobsbawm, a violência dos conflitos armados, com novas configurações, deslocando populações, empobrecendo regiões, atualizando e ressignificando conceitos, processos e olhares. Para Clausewitz ainda, a tendência para destruir o adversário, que determina o conceito de guerra, não se modifica com o progresso civilizatório.
A Revista Crítica Cultural recebe artigos, resenhas, traduções e entrevistas que proponham refletir sobre esse tema.
A seção de artigos também está aberta para textos de temática livre.
Os interessados devem submeter suas contribuições na plataforma online da revista (http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Critica_Cultural) até o dia 05 de outubro de 2017.
Todos os textos serão submetidos à avaliação do conselho de pareceristas da revista.
Esperando manter o espaço do debate crítico vivo e atualizado, aguardamos as participações.

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