Chamada Revista Crítica Cultural - Vol. 13, n. 1 (jan-jun 2018) e Vol. 13, n. 2 (jul-dez 2018)

Dossiê: 1968. Uma anamnese.
Organização: Artur de Vargas Giorgi

Em janeiro, um terremoto devasta a Sicília. Em Praga começa uma insustentável Primavera. No mesmo mês, ainda, com a Ofensiva do Tet, vietnamitas abalam a certeza da vitória norte-americana na guerra, que segue, já, a lógica do espetáculo. Logo, maio incendeia a França e irradia pelo mundo. Pouco antes, em abril, Luther King é assassinado; Robert Kennedy, pouco depois, em junho, mesmo mês em que Valerie Solanas atinge Andy Warhol com três tiros. Em meados do ano, no Brasil, é lançado o álbum Tropicália ou Panis et Circencis. No mesmo ano, ainda, Barthes publica “O efeito de real” e “A morte do autor”; Deleuze, Diferença e repetição. Kubrick lança 2001: uma odisséia no espaço. Morre Manuel Bandeira. Em São Paulo, estudantes da Universidade Mackenzie e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP se enfrentam na Rua Maria Antonia. Ciudad de México é marcada pelo Massacre de Tlatelolco. Leopoldo Maler apresenta em Londres Listen Here Now, montagem de livro benjaminiano de León Ferrari, composto por citações, com personagens emblemáticos da tanatopolítica da civilização ocidental e cristã. Augusto Abelaira publica Bolor. Em Rosario, a apresentação de Tucumán arde aponta um limite para a radicalização do itinerário da vanguarda argentina. A ditadura brasileira assina o Ato Institucional n. 5. O ciclo da modernidade, com suas grandes narrativas, parece dar sinais de esgotamento, enquanto uma suposta pós-modernidade, múltipla em ficções, já prepara um campo de disputas resistente ao consenso, com adesões, dissidências... Enfim, talvez Zuenir Ventura tenha acertado na síntese: 1968 é um ano que não terminou. Como uma cifra, ele concentra eventos do passado recente que exigem, ainda hoje, ou seja, cinquenta anos depois, leitura, debate, elaboração, alguma reparação quem sabe. Assim, a próxima edição da revista Crítica cultural recebe, até 15 de maio, artigos dedicados às anamneses possíveis desse ano que, de distintos modos, retorna ou não cessa de passar, colocando-se como nosso contemporâneo.

Dossiê: Descolonizações: nas artes e entre culturas
Organização: Dilma Beatriz Rocha Juliano (UNISUL) e Marcos Henrique Cardão (Universidade de Lisboa)

O lugar de proposição do DOSSIÊ é a relação Portugal-Brasil, no contexto pós-colonial, articulados cultural e artisticamente, em diálogo com suas histórias de colonialismos, pensando as descolonizações internas e externas, promovidas à custa de violências micro e macro históricas. A vontade que move este DOSSIÊ é o saber sobre e o diálogo entre formas artísticas e culturais debruçadas sobre objetos, palavras, corpos, imagens em ação ou em impulso de ultrapassagem das fronteiras (nacionais, disciplinares, hierárquicas) como espaços de separação, de limitação. As fronteiras, aqui, são espaços propícios aos fluxos, aos deslocamentos, à circulação e não mais (ou nunca mais?) linha imaginada para selar a estranheza. Em tempos de reflexões pós-colonialistas, há um universo de produções artísticas, coletivos políticos, críticas acadêmicas que devem, mais e mais, ser evidenciadas ao indicarem a descolonização em curso. É descolonização a afirmação de si, é ação de erguer saberes e práticas culturais acima de categorizações historicamente usadas para colonizar o pensamento, o desejo, a percepção do outro – o estrangeiro no sexo, na nacionalidade, na etnia, no dinheiro. O pano de fundo grotesco que desenha cotidianamente o “inimigo” é o que deve incitar ao atravessamento, nas contribuições ao DOSSIÊ. O que se quer é discutir e mapear os desafios colocados pelas práticas e objetos artísticos na produção de conhecimento, na nomeação daquilo que emerge das ruínas coloniais antes localizadas nas divisões disciplinares, auxiliando no entendimento de conceitos como modernidade e pós-colonialismo. Importam, também, novas questões epistemológicas e políticas que vem reorganizando os modos de pesquisar e as descolonizações de saberes em arte e cultura.

A Revista Crítica Cultural também recebe artigos, resenhas, traduções e entrevistas de temática livre.
Os interessados devem submeter suas contribuições na plataforma online da revista (http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Critica_Cultural) até o dia 15 de maio de 2018, para o volume 1, e até o dia 15 de agosto de 2018, para o volume 2.
Todos os textos serão submetidos à avaliação do conselho de pareceristas da revista.
Esperando manter o espaço do debate crítico vivo e atualizado, aguardamos as participações.

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