Do relato do discurso ao discurso polifônico em Eu Hei-de Amar uma Pedra

Olívia Maria Figueiredo

Resumo


O romance Eu Hei-de Amar uma Pedra é um romance característico dentro da obra de Lobo Antunes. É uma obra onde não há uma linha romanesca como nos romances tradicionais. O romance divide-se em quatro partes (as fotografias; as consultas; as visitas; as narrativas) aparentemente sem sentido entre si. Mas o filamento condutor que liga as partes são as vozes das personagens que ao longo da obra se ouvem em recordações de momentos da sua vida. O jogo polifônico das várias vozes repetidas até à exaustão mantém as personagens vivas através de força ilocutória da enunciação. A subjectividade transforma-se, assim, em intersubjectividade e em espelho de actos psicológicos que se expressam por meio de unidades soltas deixando ao leitor o cumprimento de as encaixar umas nas outras. Assim, as personagens vão tomando corpo e alma ao longo da obra por meio de evocações em eco de cada acto de fala que, embora proposicionalmente idênticos, se tornam intencionalmente diferentes por cada repetição. Dizer é fazer, mas falar é também construir-se. A análise dos actos de fala esclarece eficazmente o funcionamento do diálogo romanesco nas obras de António Lobo Antunes. O mesmo acontece neste romance.

Palavras-chave


Discurso relatado; Actos de fala; Polifonia

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DOI: http://dx.doi.org/10.19177/rcc.v4e2200991-106

R. crít. cult., Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN 1980-6493

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