Sobre monstros e imaginação na sociedade do espetáculo, por Hal Hartley

Ângela Lamas Rodrigues

Resumo


Tomando como base a figura do monstro frankensteiniano, monstro cujos predicados espelham as contradições do capitalismo industrial, os excessos da ciência e a psique do indivíduo fraturado pela modernidade, este trabalho propõe analisar a figura do monstro em No such thing (2001), do diretor estadunidense Hal Hartley. O artigo foca-se, particularmente, na discussão, sugerida no filme, sobre o lugar do monstro num momento histórico em que a mídia, o espetáculo e o consumo deixam pouco espaço para uma figura idealizada pela imaginação humana, que traduz, em última instância, os desejos, as ansiedades e os medos de dada sociedade. O monstro que em geral mata e aterroriza o ser humano é tratado no filme como produto da imaginação artística que expurga os males da alma, ao passo que a hipocrisia, o utilitarismo e a racionalidade científica figuram, na obra, como as verdadeiras monstruosidades que assolam a humanidade num mundo dito pós-moderno. Assim, o monstro em No such thing, personagem imortal atrelado aos valores modernos, é, como em Frankenstein, menos monstruoso que a sociedade contemporânea ultra-capitalista na qual sobrevive e da qual é vítima imperdoável.

Palavras-chave


Obsolescência do monstro; Pós-modernidade; Frankenstein

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DOI: http://dx.doi.org/10.19177/rcc.v8e22013191-199

R. crít. cult., Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN 1980-6493

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