Contemporaneidade e composição: João Cabral de Melo Neto escreve Joan Miró

Bairon Oswaldo Vélez Escallón

Resumo


Este trabalho foca a relação entre uma noção contemporânea da contemporaneidade e um aspecto do procedimento de composição da poesia de João Cabral de Melo Neto, à luz da leitura que o poeta pernambucano fez da pintura de Joan Miró em ensaio de 1949. Com isso, se pretende mostrar a maneira pela qual Cabral – longe da vontade de ruptura do Modernismo de 22, e afastado tanto do exotismo implícito no paradigma da viagem modernista de “descobrimento do Brasil” quanto das suas possíveis reverberações de uma dialética da colonização – elabora a sua poesia como uma potência anacrônica da imaginação, em que os acontecimentos, para além da sua transcendência, se escrevem como comoções contingentes que tendem a multiplicar as origens, ao invés de meramente registrá-las. Finalmente, se pensará a singular composição do poema cabralino como uma montagem, ou remontagem, de temporalidades heterogêneas, uma meditação areal ou um fazer poesia com “coisas” em que a simultaneidade reclama, mais do que garantir a sincronia temporal com o presente, a contemporaneidade ou sobrevivência de vozes silenciadas por uma civilização catastrófica.

Palavras-chave


João Cabral de Melo Neto; Joan Miró; Poesia brasileira; Anacronismo; Montagem; Modernismo

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DOI: http://dx.doi.org/10.19177/rcc.v11e22016205-223

R. crít. cult., Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN 1980-6493

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