A lente fotográfica enquanto crítica cultural: escritas do corpo em Cicatriz, de Rosangela Rennó

Ricardo Araújo Barberena

Resumo


A exposição fotográfica Cicatriz (1996), de Rosangela Rennó, introduz uma inquietante pesquisa no acervo fotográfico da Casa de Detenção (SP). Os arquivos institucionais se encontram como um estagnado conjunto de estigmas oficiais e grupais, até o momento que Rennó procura a afetividade, a poesia, a revolta e a resistência dos signos que podem denunciar um Outro silenciado. A fotografia, então, revela esse tecido cultural que antes não se podia nomear: a imagem, antes enevoada, começa a trabalhar numa área de recalque aberta na sua perturbadora condição de rasurar os limites tidos como racionais e homogêneos. Sobrepõem-se um pungente conjunto de tatuagens de detentos que evidencia doloridas escritas de um Eu subalterno. A partir da dessacralização do espelho fotográfico, abre-se terreno para a leitura de textos epiteliais cicatrizados enquanto discursos ungidos na carne marginal.

Palavras-chave


Fotografia, identidade, alteridade, nação, memória

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DOI: http://dx.doi.org/10.19177/rcc.v4e12009171-191

R. crít. cult., Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN 1980-6493

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