Os excluídos em as confrarias de Jorge Andrade

Mário Guidarini

Resumo


Esta comunicação visa descobrir não a faculdade mestra do dramaturgo, mas a da peça As confrarias, no contexto da Inconfidência Mineira em fins do século XVIII, que dramatiza a diferença entre o que os homens são e o que gostariam de ser. O texto desnuda os procedimentos desumanos dos que detêm o poder ao estigmatizarem a diferença de cor, raça, gênero e profissão na prática social de então. Arbítrio e violência acirram os personagens atípicos a lutarem pelos seus direitos de sangue e de enterrar seus mortos. Ironia trágica. Tanto o direito quanto a lei estão à mercê dos conflitos de interpretações. O valor semântico de lei e de direito reveste-se de significados opostos quando em contextos políticos e ideológicos diferenciados. Essas interpretações contrapostas em público instauram a perplexidade nas mentes e corações dos indivíduos durante o espetáculo. No entanto, ao retornarem à prática social do dia a dia, descuram todos os possíveis significados latentes da peça encenada. A palavra do dramaturgo brota duma situação de não força. Duvida da própria existência, como autor, ao se perguntar: quem fala em mim quando falo, escrevo, publico e desvelo a nudez de paixões ocultas e as vertentes noturnas no anverso dos signos?

Palavras-chave


Excluídos; Diferença; Direito e poder.

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DOI: http://dx.doi.org/10.19177/rcc.v1e120061-4

R. crít. cult., Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN 1980-6493

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