PROFESSORAS EM CONSERVA NA ESCOLA LÍQUIDA: UM RETRATO CONTEMPORÂNEO DA CONTENÇÃO DO FEMININO

Maria Cristina Schefer

Resumo


O presente artigo  é parte de uma tese em construção, que tem como tema as relações periféricas em escolas de periferia da periferia: escolas líquidas. Neste fragmento, faz-se a análise de entrevistas realizadas com docentes postas à disposição ou recém-nomeadas, que foram designadas para trabalhar numa escola,  na região metropolitana da capital do Estado do Rio Grande do Sul–Brasil. Entre outros aspectos que chamam a atenção nesse evento de retirada de voz/escolha das profissionais de educação, é que a maioria delas tem um corpo que  foge dos padrões desejados pela sociedade patriarcal-capitalista, pois não atendem a quesitos como o da (re)produção. Em meio a essa situação de regeneração ou penitência, as professoras assumem comportamentos estranhos à função. Das 18 professoras ouvidas, 13 revelam desencanto com o não lugar-escolar,  e poucas acreditam  num ensino à população que atenda crianças pobres. Diante disso, conclui-se, a partir das contribuições de Bauman,  que   a  docência, marco da intelectualidade feminina, de acordo com os Estudos Culturais, não  libertou as mulheres de normas masculinas e capitalistas que hierarquizam o humano. Se, no princípio, “aquelas” que invadiam o espaço público (dos homens) foram jogadas às fogueiras, na atualidade, muitas docentes estão sendo condenadas às escolas líquidas e, quando optam por “cruzar os braços”, atendem  ao sistema.  Trata-se de uma disfarçada manobra que dribla a contraconduta docente, promove a contenção do feminino e mantém periféricos na periferia.


Palavras-chave


Gênero. Docência. Periferia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.19177/prppge.v8e132014156-171

Poiésis. Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN-e 2179-2534

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