A enunciação lírica e a configuração da voz do narrador como ilógica

Edson Ribeiro da Silva

Resumo


Käte Hamburger buscava na enunciação modos de diferenciar ficção de gênero lírico. Se o primeiro é marcado pelo ilogismo da enunciação, o segundo mimetiza situações enunciativas ancoradas na lógica. O narrador que fala em primeira pessoa assume especificidades enunciativas do gênero lírico, formatos lógicos. Observa-se aqui que a canção popular exacerba o ilogismo e prefere a condição de encenação: falase para um "tu" quase sempre ausente, sem se definirem os suportes que levam a voz até aquele. A cena dá à enunciação um formato ilógico, que o receptor real acata. A comparação mostra que certas técnicas de romance em primeira pessoa possibilitam formatos de enunciação próximos daqueles da canção popular, em que uma voz fala sem que mimetize um gênero escrito, como a autobiografia. Assim, objetiva-se aqui um rompimento com Hamburger e a demonstração de que a enunciação lírica assume configurações ilógicas e as persegue como resultado estético.

Palavras-chave


Enunciação lírica. Ilogismo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.19177/memorare.v6e12019112-132

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Revista Memorare, Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, ISSN 2358-0593.

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